Imagem pessoal – amar a si mesmo

2009 Junho 10

O que é imagem pessoal? Aí está uma boa pergunta. Como os outros vêem você? Já parou para pensar nisso? Pois é… você não é uma garrafa de refrigerante, nem um par de tênis, mas transmite uma imagem. As pessoas olham para você, e rotulam, julgam: é sensual, é mal-educado, é alegre, é simpático, é nervoso, é confuso, é decidido… e assim por diante. As pessoas julgam você e você julga os outros. Isto é normal. Somos ensinados, desde crianças, a qualificar as coisas, fatos e também pessoas. Papai falava mal de determinados tipos de sujeito. Mamãe reclamava de outras pessoas. O professor gritava na sala de aula contra os alunos de mau-comportamento.

Assim, pouco a pouco, você foi aprendendo a julgar e rotular pessoas. E as pessoas foram aprendendo o mesmo. Será que esse “rotular pessoas” define o que é imagem pessoal?

 

Não. Imagem pessoal não é a primeira impressão. Não é o julgamento que mamãe ou papai faziam de alguém. Não é nem o julgamento que você faz de si mesmo. Isso é somente crítica, observação, uma crença de uma única pessoa, mas não é imagem pessoal.

 

Imagem pessoal, como o próprio nome diz, não é realidade – é uma imagem. Acostume-se com esta idéia: o que os outros vêem de você não é realidade. Nem o que você vê de você mesmo não é realidade. De acordo com o seu estado de espírito, motivação, foco, você transmite uma imagem. E o outro, que chamamos de receptor, também influenciado pelo próprio estado de espírito, irá receber esta imagem de um jeito todo particular a ele. Portanto, imagem pessoal é um conjunto de características que você comunica de si ao mundo. São características mutáveis, infinitas, flexíveis, mas que apresentam um determinado padrão. Este padrão é regulado pela sua personalidade, pelas suas crenças e valores e pelos seus desejos e emoções. Assim, a sua imagem pessoal está firmemente atrelada a si, a quem você é, às suas vontades. Mas, lembro outra vez, por ser imagem, e não realidade, ela é flexível. Se você não se sente bem com a imagem pessoal que transmite, tem agora toda a possibilidade de mudar.

 

Você muda a imagem que quer transmitir nos relacionamentos, no trabalho, consigo mesmo… e por incrível que pareça, os relacionamentos mudam, a convivência no trabalho muda, a sua relação com o sucesso e com a carreira também muda e, principalmente, a relação de você consigo mesmo muda… estabelece-se uma relação de amor por si mesmo infinito. Este é o nosso propósito.

Alex Possato é autor do CD O código da Autoimagem, além de outros sobre inteligência emocional. É também escritor, palestrante e diretor do nokomando-desenvolvimento humano. Clique aqui e saiba mais

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Amar o inimigo

2009 Junho 3

Esta frase sempre ficou na minha cabeça. O que é amar o inimigo? Como amar alguém que não gosta de você?

Então cresci, e percebi: quem é que não gosta de mim? Será que alguém não gosta de mim? Por que eu penso isso?

E eu: será que eu gosto de mim?

 

Sempre fiquei muito ofendido quando clientes diziam coisas que me perturbavam, ou me tratavam com arrogância. E trabalhando em vendas, toda hora eu ouvia coisas que não gostava. Até que comecei a perceber onde ecoavam as palavras que não gostava.

Ecoavam no meu próprio sentimento de rejeição, na minha baixa auto-estima. Percebi que não havia ninguém que não gostasse de mim. Os clientes que me perturbavam nem lembravam da tal frase que ficava ecoando na minha mente.

 

A única coisa que havia era a minha mente repetindo: você não presta, você é devedor, você não está a altura… E as palavras que vinham de outros doíam, porque dentro já estava ferido. Curei a ferida, acolhi a mim mesmo. Vi que não tinha a necessidade desesperada de ser aceito, que eu tinha – e por isso me magoava quando era repelido. Vi que não precisa aceitar ninguém, nem repelir ninguém. As pessoas vão e passam na minha vida. O instante que elas estão comigo é apenas o momento presente. Depois, passou… Se as experiências foram boas ou más, passavam, e eu não me apegava ao sentimento nem de satisfação, nem de mágoa. De repente, estava me amando. Cadê o inimigo?

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A criança adulta

2009 Maio 19

Sou uma criança. Apesar dos meus pelos no corpo, da minha barba aparente, dos meus seios crescidos, sou uma criança. Ninguém nota isso, porque disfarço bem. Trabalho, menstruo, dirijo carros, tenho filhos, jogo bola e tomo cerveja, falo coisas inteligentes, ando de lá pra cá sem pedir autorização…

Às vezes, até eu esqueço disso. Quando sou fechado por alguém no trânsito e lanço um palavrão cabeludo, às vezes até me surpreendo: nossa, por que ele fez isso comigo? Lembro-me dos tapas que recebia dos meninos grandes na escola, e eu não podia reagir. Mas agora posso: vá tomar no …! Lembro-me quando minhas amigas riram da finura das minhas pernas à mostra, sob a saia, e das espinhas que teimavam florescer em meu rosto… queria me enfiar embaixo do tapete. Sinto que me agridem de graça…

Continuo sendo uma criança. Minha mãe, hoje, vem me dizer como educar meus filhos, igualzinho quando ela interferia nas minhas lições, nos meus namorados, nas minhas roupas. E eu já faço a mesma coisa com meus filhos. Vivo interferindo na vida deles. Mas todo mundo diz que mãe tem que educar. Pai tem que educar. E não é isso que é educar? Sei lá… como uma criança pode saber?

Quero conquistar muitas coisas. Vou atrás dos meus objetivos: um carro, uma casa, um curso, uma obra que criei, um livro que escrevi, um caminho espiritual que segui. Quero um cara que me dê segurança, uma mulher que me dê carinho. E daí posso mostrar pros primos: ta vendo, eu consegui. Posso mostrar para meu irmão: vou correndo, como quando ganhei um brinquedo novo e mostro a ele, todo gabola. É meu! E saio correndo com o brinquedo embaixo do braço. Fiz isso com a bola que ganhei, com a boneca, com o carro zero, com o namorado novo e com o emprego de gerente que consegui, passando por cima de tantos outros babacas. Não vou deixar eles brincarem com o meu brinquedo.

Mas parece que ninguém tá nem aí comigo. Meu marido nem me nota. Não quer brincar comigo, nem fazer carinho. Minha esposa só pensa em cuidar dos filhos. E cuidar, pra ela é só dar bronca. Não dá pra brincar assim com gente enfezada. Então eu bato o pé. Eu choro, finjo que vou embora, arrumo um caso, só pra ser notado. Engraçado, só acho namorado e namorada igual a mim. Uma criança que bate o pé.

Por que será? Porque será que quero ser notado pelos outros? Porque quero que um homem ou mulher me dê carinho e segurança? Porque ganho dinheiro, aprendo coisas, caso, crio filhos, compro casa e carros, quero ser importante? Para quem?

Nossa… esqueci do papai. Esqueci da mamãe… Quantas vezes eu quis ter o papai ao meu lado, nas minhas conquistas, e ele não esteve. Quantas vezes quis ser pega no colo pela minha mãe, quando eu chorava, e ela, simplesmente gritou: vá se arrumar pra jantar! E logo, viu! Eles não sabem que tudo o que eu estudei foi pra eles. Pra eles verem que eu sou alguém, que eu também sei, que eu também sou bacana! Eles não sabem que construí minha vida querendo agradá-los. Mesmo quando os xinguei, fiquei sem falar com eles, chamei-os de quadrados e idiotas… Mesmo quando não conheci meus pais… tudo que fiz foi por eles, para ser visto e amado, como uma simples criança quer e merece.

Mas eu não mereci. E por isso, acho que sou errada. Sou errado. Não presto. Papai nunca gostou de mim. Mamãe também não. Só cobram que eu seja a criança certinha, e por mais que eu tente, eu não consigo.

Deixa eu olhar bem pra cara da mamãe, e do papai. Vou falar pra eles o quanto eles fizeram de errado. Abandonaram-me, não me apoiaram, criaram-me de um jeito errado, desleixado, sem amor. Eles não me amaram nunca! Mas espera lá. Estou vendo nos olhos de papai uma criança carente e mimada. Como eu. Ele também queria que o vovô olhasse pra ele. Mamãe, seca e dura, nunca foi pega no colo pela vovó. Ela também está com birra.  O que adianta eu querer ser reconhecida pelo papai e pela mamãe, se eles estão olhando para trás, para vovô e vovó! Eles não me enxergam! E vovó e vovô também estão em busca do amor dos pais deles… Nossa, quanta coisa aconteceu no meu passado familiar: separações, abortos, homicídios, imigração, fugas, abandonos, encontros, amores não correspondidos, lares desfeitos… Papai e mamãe carregam tudo isso nas costas. Crianças perdidas e errantes, num campo devastado pela solidão, pobreza e guerra, em busca de serem reconhecidos. E eu também estava carregando… Mas essa mala não é minha. Nossa, como sou criança!

Ôpa, acho que estou crescendo. Não quero mais ser reconhecido pelo papai e pela mamãe. Eles parecem como adultos, falam como adultos, têm muita experiência e feitos, mas… são crianças como eu. Como eles podem me reconhecer, se têm emoções tão infantis? O que adianta eu querer parceiro para me amparar e me reconhecer, ficar no lugar do papai e mamãe? Vou encontrar outra criança, como encontrei até agora. Meninos e meninas que mal saíram das fraldas… O que adianta em querer mostrar meus brinquedos novos, minhas conquistas, minhas habilidades profissionais, minha espiritualidade para papai e mamãe, se eles não estão nem aí? Eles querem amor, o amor que não perceberam no vovô e vovó, e eu só estou cobrando amor que eu não recebi. Esta história vai longe. Muito longe. Mas eu não quero mais isso. Eu tenho filhos, e terei netos. E quero que eles estejam satisfeitos com a vida deles, do jeito que eles são. Não quero mais ser reconhecido. Deixa pra lá. Papai e mamãe me deram a vida, e isso é o suficiente. Já foi muito. E eu me reconheço. Mesmo com minhas mágoas, com minhas dores, sou um cara forte, cheio de amor para dar. Sou uma mulher forte e capaz, do jeito que sou. Eles não podem me reconhecer, mas eu posso reconhecer o que recebi deles. Mesmo que tenha sido só a vida. Só a vida?… Só?

E posso reconhecer muitas coisas nos meus filhos. E posso falar o que eles têm de bom, porque eles querem ouvir – estão esperando por isso. Posso fazer a minha parte, o meu trabalho, as minhas relações novas e livres, adultas, e ser feliz por mim mesmo. A minha felicidade não depende de ser reconhecido por papai ou mamãe.  Eu posso reconhecer muito nos meus clientes, amigos, namorado, mulher, professores. Todos eles são crianças, como eu, em busca do amor de papai e de mamãe. Freud explica. Mas eu faço a minha parte. Assim eu sou feliz. Porque eu me reconheço como sou. Uma criança consciente. Agora dá licensa, que está ventando e vou empinar pipa…

Alex Possato é diretor do

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A culpa não é do papai ou da mamãe

2009 Abril 29

“Doía, doía muito. Minha esposa estava ali, meus filhos ali, lindos, todos disponíveis para mim, mas… eu não estava disponível para eles. Eu gostava deles, sim! Amava-os profundamente! Como eu gostaria de poder dizer isso a eles. Mas algo não me deixava. Era como se tivesse uma força me puxando para o lado contrário, dizendo que eu não posso ser feliz com a minha família. E eu ia, sempre longe deles, como um zumbi, mesmo morando debaixo do mesmo teto. Quando despertei deste pesadelo e consegui, finalmente, estar disponível para eles, eles já não estavam mais lá.”

Antes de falar sobre como apaziguar a dor interior, quero explicar um pouco sobre o porquê desta sensação. Quantos de vocês não sentem que receberam pouco do papai e pouco da mamãe? Aquela sensação de que queria um carinho, um abraço, uma palavra de apoio quando tinha problemas na escola… mas geralmente vinham broncas e recriminações. As vezes também ocorreu o contrário: fizemos de tudo para provocar e chamar a atenção, mas mamãe vinha com suas asas nos protegendo, achando que uma palavra mais ríspida iria nos ferir, e nunca era dura, mesmo quando precisávamos. Queríamos também brinquedos, presentes, coisas que não tínhamos, mas os colegas tinham. Por que eles não compram pra mim? Como não tem dinheiro? Quantas vezes queríamos papai mais presente, mais ativo, mais participativo na nossa vida, em vez de só ficar pensando em pagar contas e sobreviver. Isso quando ele não largava tudo e saía sem dar explicações, sabe lá para fazer o quê… Ah, que vontade que mamãe seja mais amorosa, forte, sensível, como toda mãe deveria ser…

Lembre-se de quando você era uma criança: quantas coisas aconteciam aos nossos olhos, e não entendíamos. A única coisa que existia era uma sensação de que não estão me vendo, e não estou certa. Não podíamos compreender o mundo do adulto. Somente compreendíamos as broncas e as cobranças. E várias vezes tentamos fazer o que eles falavam, e mesmo assim não dava certo. Não éramos aceitos na totalidade. E fomos crescendo, criando coragem, força própria, desvendando nossos próprios caminhos, e às vezes flagrávamos aquele olhar no rosto de mamãe e papai de desaprovação. Ainda nos olham como crianças erradas. Também existem os casos onde não mais olhamos para os pais. Às vezes foram eles que sumiram, outras, fomos nós que caímos fora deste convívio. No entanto, o fantasma do papai e mamãe continua sempre conosco, até quando não os conhecemos e não convivemos com eles. E aí está a questão: a psicologia descobriu que esta convivência na infância, muitas vezes é problemática e cheia de culpas e cobranças. Daí para dizer que a origem de todos os males emocionais está na infância e na criação dos pais, foi um pulo. É óbvio, não? Pois é, mas a constelação familiar sistêmica demonstra que não é nada disso!

A culpa dos males emocionais não é dos pais

Papai e mamãe não tinham olhos para nós porque estavam preocupados com os problemas deles. E muitas vezes também não tinham olhos um para o outro. Eram casados e não estavam presentes no casamento. Sabe por que isso acontece? Carregamos heranças do nosso sistema familiar em nossas costas. Assumimos responsabilidades e culpas que não tem nada a ver conosco, muitas vezes originadas em um antepassado que nem conhecemos. A constelação sistêmica demonstra que essa carga emocional, tanto a positiva, que constrói, como a desconfortável, que provoca, caminham pelo sistema familiar de geração em geração, e algumas características se manifestam em determinado membro da família. Você pode perguntar: para que isso? Maldição? Não, absolutamente não. É exatamente o contrário: é uma dádiva que a natureza nos dá, possibilitando, no momento em que uma característica sistêmica confortável se manifeste, como por exemplo a criatividade para novos trabalhos, honrarmos o nosso sistema familiar.
Você pode perguntar: e quando a característica não é nada confortável, como por exemplo, quando nascemos com excesso de timidez? Bem, também digo que é uma dádiva. Ao pesquisar estas características emocionais que estão como arraigadas em nosso íntimo, fazendo parte de nós como unha e carne, temos a possibilidade de, ao reconhecer o sistema familiar, transformar o que não está fazendo bem.
Gostaria de deixar uma coisa bem clara: não existe uma pessoa somente tímida, ou somente medrosa, ou insegura, ou sem criatividade, ou preguiçosa, ou insensível, ou rude, ou confusa, ou violenta… O contrário também é verdadeiro: não existe uma pessoa somente ativa, corajosa, segura, criativa, atuante, sensível, caridosa, focada e amável. Todos possuem todas as características dentro de si. Tanto as confortáveis como as inconfortáveis. Esta é a grande revolução no entendimento da personalidade humana, que a constelação sistêmica traz: temos todas as características, simplesmente porque todas elas já foram vivenciadas nos milhares de pessoas que fazem parte da nossa corrente hereditária, e são transmitidas, geração a geração.

Theresa Spyra, diretora do Nokomando-desenvolvimento pessoal e profissional, é trainer, terapeuta e coach especializada em constelação familiar sistêmica

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Vampiros emocionais – alho neles!

2009 Abril 23

Vampiros emocionais. A primeira vez que eu ouvi este termo, torci o nariz. Naquela época, eu tinha plena certeza de que nada, absolutamente nada pode afetar o ser humano focado no seu próprio potencial, na sua própria luminosidade, que é infinita e está conosco o tempo todo, amparando-nos quer tenhamos consciência ou não.
- Báh! Quanta negatividade! Pensar em vampiro emocional é tirar o foco das próprias qualidades e ainda culpar o outro pelo nosso fracasso. Que desperdício de neurônios! Pensei.
Hoje, tendo absorvido o conhecimento taoísta, aprendi a falar uma palavra que acho mágica: depende!
- Existem vampiros emocionais?
- Depende…
- O ser humano é potencialmente ilimitado?
- Sim! Mas se ele consegue tomar posse desta potencialidade… depende.
- Alguém pode passar a rasteira e nos derrubar?
- Sim, mas este alguém não é exclusivamente culpado…
- Eu, então sou culpado?
- Não exatamente. Depende…
- Depende de quê, homem de Deus?
- Depende do ponto de vista.
É interessante. Por mais que a mente racional queira definir alguém como bom ou ruim, tudo depende. Depende do ponto de vista, depende de quem está observando, depende do momento observado, da situação e das emoções envolvidas. Em todas as situações da vida existem dois ou mais aspectos que podem ser considerados bons e ruins ao mesmo tempo! Quer ver?
Eu tenho um sócio terrivelmente seco e mal humorado. Isto é bom ou ruim? Depende. Se eu não estou bem, o mal humor dele pode me deixar mais “down”. Isto é ruim? Depende. Se eu perceber que isto pode acontecer, posso neutralizar meus sentimentos em relação ao sócio, e me torno mais forte. E isto é bom? Depende. Se eu neutralizar muito fortemente, posso não perceber que o sócio está precisando de um apoio, e não estendo a mão. Isto é ruim? Depende…
Este sócio pode ser uma espécie de vampiro. Mas é também uma espécie de mestre, sem dúvida.

O que fazer com os vampiros?

Vamos entender uma coisa: se alguém está nos vampirizando, tirando nossa energia, bom humor, deixando-nos fracos – e isso realmente ocorre, tem um outro lado. Qual lado? Existe alguém oferecendo o pescoço. É verdade! Se existem vampiros, existem pescoços! E outra coisa: em algum momento da vida, somos vampirizados, mas também somos vampiros.
Neste mundo, nos relacionamos com empregados, com pais, com os filhos, com os vizinhos, com o cunhado, com a sogra, e até com os personagens da novela e os artistas e famosos… É uma troca constante de palavras, de elogios, de xingamentos, de emoções afetuosas e raivosas… Olhar somente os vampiros é olhar um lado só da moeda. Então, o que fazer?
Minha opinião é: observe os vampiros! E observe a si mesmo! Veja qual é a brecha que eles utilizam para entrar no seu pescoço. Pode ser o pedido dócil. Pode ser a imposição. Pode ser a hierarquia. Pode ser o grau de parentesco. Pode ser a chantagem.
E não se iluda: é dentro de casa que se encontram as maiores relações vampirescas! Sugamos e deixamo-nos sugar! E isto não é maldade! Achamos que temos que agüentar as pessoas que nos sugam, porque alguma crença diz que “é isto mesmo”, “ofereça a outra face”, “respeite os mais velhos”, “olha como fala”, “não posso fazer nada para não perder ‘a boquinha’”, etc.
Não estou dizendo para pregar uma estaca de madeira no coração do vampiro, até porque ele pode ser seu irmão, ou quem sabe, o seu próprio pai! Não, não é isso! Alguém que suga o outro, é porque quer ser feliz e não sabe como. Acha que sugar irá trazer felicidade, mas isto não ocorre. A única maneira de equilibrarmos estas relações de vampirismo é “escondendo o pescoço”, ou seja, descobrindo quais são nossas fraquezas que estão propiciando o vampiro de dar uma mordidinha!
Por exemplo: Será que você fala muito sim? Será que você se derreta diante de um olhar meigo? Será que alguém falar de sofrimento o deixa sensível e aberto? Será que alguém, só pelo fato de ser seu chefe, ganha o direito de “montar em cima”? Será que alguém, só por ser um parente próximo, não pode ouvir um “sai fora!”?
Geralmente, quando a pessoa que está nos vampirizando é muito próxima, existe uma relação emocional profunda e difícil de ser quebrada com um simples “não! Deixe este corpo que não lhe pertence!”
O que fazer? Passei por uma situação dessas recentemente. Emocionalmente eu não estava preparado para olhar nos olhos da pessoa e simplesmente explicar que eu não toleraria mais a “vampirização”. Mas a primeira coisa que se deve fazer é assumir que você quer e deve ser feliz, e qualquer pessoa, qualquer pessoa!, que esteja atrapalhando o seu equilíbrio e bem-estar, deve ser afastado.
Fiz isso. Sem mágoa, sem raiva, mas firmemente proposto a ser feliz. E fiquei um tempo afastado da pessoa. Até que o próprio tempo esfriou as emoções, e eu pude explicar que esta relação era destrutiva para nós dois. E cortei as minhas “fraquezas” que propiciavam eu ser vampirizado. Havia cobranças mútuas: eu fiz isso, agora você me deve! Tem que fazer aquilo!
Eu disse: não! Temos relação como seres iguais, perfeitos, ambos merecedores de respeito. Se não é possível que a relação seja nesse nível, não existe relação. Isto é amor profundo! Amo tanto a minha integridade, que olho para você e vejo a sua integridade! Se você deixar de ver os outros como culpados e olhar para a sua própria essência, daí sim estaremos unidos, como sempre estivemos.
O sol estava surgindo, e uma estranha fumaça começou a sair do vampiro. Ele, mais que rapidamente, saiu voando pela janela, em busca do conforto do seu caixão. Na fantasia de vampiro, nunca mais voltou. Como um ser dócil e amoroso, que é a essência de todo ser humano, começou a buscar proximidade. Deixo as portas e janelas abertas.
Mas ao primeiro sinal de dente pontudo… Alho nele!!!

Alex Possato é diretor do Nokomando – soluções sistêmicas – descubra como a constelação familiar sistêmica (em grupo ou individual, presencial ou online) afasta você dos “vampiros” e o aproxima de relacionamentos afetivos e familiares construtivos e prazerosos. Clique aqui e saiba mais


10 dicas para mudar o comportamento do filho

2009 Abril 22

Olá! Vamos falar um pouco de pais e filhos? É, lembra-se daquela música da Legião Urbana, onde o Renato Russo dizia: você culpa os seus pais por tudo, isso é um absurdo. São crianças como você…

Pois é, certa vez ouvi o Renato responder a uma pergunta sobre o como ele conseguia fazer letras tão elaboradas, e ele simplesmente disse: lendo muito, estudando! Bem, o Renato sabia algo sobre sistemas entre pais e filhos, mesmo que intuitivamente. Eu trabalho com a hipótese de que a intuição é a maior e melhor sabedoria que o conhecimento adquirido, mas isso é papo pra outro momento. Mas vale a lembrança da música: os pais são crianças como você.

Vou falar sobre constelação sistêmica familiar e relacionamento entre papai e filhinho. E vice-e-versa. Para facilitar, vou pedir para você pensar o seguinte: imagine que existem programas pré-determinados que atuam no comportamento emocional de todos os pais da sua família. Sim, se você é pai, imagine que está rodando um programa que influencia nas suas emoções. O que você acha de ser pai? Como você se sente em relação ao seu filho? Tem culpa ao dar bronca? Ou culpa ao ser permissivo? Sente-se como ao poder dar o conforto material que você não teve? Sente-se melhor que seu pai? O que passa na cabeça quando não consegue suprir o seu lar com aquilo que gostaria? É justo e assume o seu papel? E como você se sente em relação ao… seu pai?

Bem, sistemas familiares influenciam diretamente as emoções. São as emoções, que estão arquivadas em sua mente inconsciente, que representa 95% do total do seu conteúdo mental, que ditarão seu comportamento. Como pai, e também como filho, como patrão, como marido ou esposa, e assim por diante. Absolutamente todos os problemas de relacionamento, e no caso que estou falando, entre pai e filho, são originados por questões sistêmicas e, portanto, só podem ser resolvidas sistemicamente. Um problema de atitude do filho não é resolvido somente com um problema de atitude do pai. Isso causaria confronto e é profundamente desagradável. A constelação sistêmica auxilia nas mudanças de comportamento, mas parte de outro princípio: ao trabalho sistemicamente, as emoções se equilibram. Com as emoções equilibradas, as atitudes se modificam, gradual e naturalmente. Sem a imposição. Sem as regras da Super Nany.

Dizer as razões do porquê um filho não respeitar o pai seria um pouco incoerência da minha parte, porque a generalização não abraça todas as respostas. Mas como tenho certeza que a intuição sempre sabe das respostas, vou lhe dar algumas dicas, em formas de perguntas de efeito terapêutico, de como resolver conflitos desse tipo:

1 – como o pai do filho que não o respeita vê o seu próprio pai?

2 – o pai do filho se coloca como pai, ou seja, ele se sente maior que o filho (sistemicamente, ele é sempre maior)?

3 – após a idade em que o “passarinho pode voar”, quer dizer, a adolescência, mais ou menos, o pai solta o filho e deixa ele se virar sozinho (sistemicamente, este é o melhor caminho)?

4 – o filho está sendo colocado no seu devido lugar de filho e, assim, menor que os pais?

5 – o pai assume completamente os problemas que tem relação à ele – por exemplo, brigas de casal, problemas financeiros, estresse, etc. – sem jogar o “seu pacote” para as costas dos filhos?

6 – o pai sabe mandar o filho “calar a boca” nos assuntos que não são dele?

7 – o pai assume suas atitudes sem culpa, mesmo que, mais tarde, perceba que poderiam ter sido outras?

8 – o pai entende que a maior coisa que poderia dar ao filho, sistemicamente é a vida, e todo o resto é um “bônus” que pode ser maior ou menor, conforme a sua própria capacidade como pai?

9 – ao olhar o próprio pai, o pai sabe não pegar as responsabilidades que não é dele, e devolver ao “velho”, sem deixar que problemas do outro interfiram na própria vida?

10 – mesmo deixando os problemas ao “velho”, o pai sabe reverenciar o próprio pai, sabendo que a vida que recebeu dele é a coisa mais importante da sua existência, e sem ela, nada mais seria possível?

Alex Posssato

Full Life Coach

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Constelação Familiar Sistêmica, com a terapeuta alemã, Theresa Spyra. Clique aqui e saiba mais

Codependência: Por que não consigo soltar a preocupação com o outro?

2009 Abril 20

Você já viu pessoas que estão presas a outros, de forma quase patológica, onde a relação mais parece uma prisão com tendência sado-masoquista? A este comportamento, a psicologia nomeou de codependência. Sabe aquele papo: eu não consigo deixá-lo… tenho que cuidar dele. Existe uma postura de sentir-se responsável pelo problema do outro, e o mais engraçado é que a única coisa que une os codependentes, já que existem dois nesta relação conturbada, é o problema, e não o amor. A pessoa que ama, solta e aceita. A pessoa codependente sente-se culpada e cobrada por fazer algo.

A mente lógica até dá diversas desculpas para manter este tipo de relação, mas na verdade, existe uma força por detrás que impulsiona um codependente contra o outro, o esta força está baseada na dor e na culpa.

“A codependência se manifesta de duas maneiras: como um intrometimento em todas as coisas da pessoa problema, incluindo horário de tomar banho, alimentação, vestuário, enfim, tudo o que diz respeito à vida do outro. Em segundo, tomando para si as responsabilidades do outra pessoa. Evidentemente, ambas atitudes propiciam um comportamento mais irresponsável ainda por parte da pessoa problemática.” É o que explica o site Psiqweb. Existe no Brasil, um grupo baseado nos 12 passos, originariamente desenvolvido pelos AA, que busca auxiliar pessoas codependentes. Realizam um trabalho muito bonito, voluntário e gratuito, e quem quiser maiores informações, pode encontrar no site http://www.codabrasil.org/ .

 

Bert Hellinger, criador da terapia de constelação sistêmica, estabelece que uma das ordens para que o amor flua numa relação é a igualdade do dar e receber. “… em primeiro lugar, faz parte das ordens do amor entre pessoas iguais que reconheçam o outro como alguém de mesmo valor”.

O que o alemão Hellinger quer dizer é que, se acho que posso ajudar alguém, estou me colocando acima deste alguém, melhor que ele, e portanto, não estou amando. Em qualquer relacionamento, deve haver o equilíbrio entre o dar e receber. Dou o tanto que recebo. E vice-e-versa. Caso contrário, ocorre desequilíbrio. Isto bate com o pensamento da psicologia, que diz: “O codependente almeja ser, realmente, o salvador, protetor ou consertador da outra pessoa, mesmo que para isso ele esteja comprovadamente prejudicando e agravando o problema do outro.”

A constelação sistêmica restabelece esta ordem. A codependência é um impulso inconsciente causado por uma identificação da pessoa com algo do seu passado familiar. Por isso, o codependente não deve se sentir culpado. Simplesmente é chegado o momento de dizer: chega! Quero e vou ser feliz! E confiar no poder de cura que o universo provê a todos. Muitas vezes, só o fato de se desligar da “preocupação” e deixar que a vida tome o seu rumo sem interferir, já ocorre grande melhoria – nos dois lados envolvidos. É importante se entregar ao amor maior que permeia as relações humanas, cura e cicatriza as feridas. Ninguém tem o dom de ferir outro. Nem de curar. A cura ocorre quando nos entregamos a este amor que é maior que a nossa capacidade e inteligência humana. A ferida surge quando esquecemos disso.

Constelação familiar sistêmica, com a alemã Theresa Spyra – desbloqueando emoções inconscientes e abrindo caminhos. Trabalho em grupo ou individual, presencial ou online  Clique aqui e saiba mais

Honestidade consigo mesmo

2009 Abril 16

Neste novo podcast, Theresa Spyra fala um pouco sobre honestidade consigo mesmo. Por que temos a tendência de esconder de nós mesmos aquilo que fizemos? O que o esconder algo traz de consequência? Ouça e comente!

Constelação familiar sistêmica em grupo, individual, presencial ou online, com Theresa Spyra - clique aqui

 

Clique aqui e ouça o podcast  Ser honesto consigo mesmo